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11 de abril de 2021
Opinião

Teledramaturgia brasileira: uma obra-prima menosprezada pelos intelectuais

Quando nós paramos para pensar – e isso é óbvio – os maiores intelectuais se destacam. Por mais que isso seja polêmico, os ditos inteligentes sempre atiram pedras no que é vendável. Digo isso pois, certamente, todos nós temos preconceito. Eu, por exemplo, me nego a dançar funk em festas, e isso é da minha personalidade. Todavia, a diferença é muito simples: eu não desejo o short de marca da cantora, mas os pseudointelectuais desejam o status do novelista. Assim como eu me retiro para degustar os quitutes da confraternização, basta que o poeta intocável desligue a televisão. Isso não acontece simplesmente porque, se você quer a grama do vizinho, é mais fácil corta-la.

Hora de citar uma novela que é, literalmente, um sucesso. A trama Bom Sucesso que, inclusive, relatou os bastidores do mercado editorial, e as barreiras para publicações de livros no Brasil. Além disso, relata a vida de uma mulher forte, independente e trabalhadora, moradora de Bonsucesso. Sua filha, adolescente, lançou um livro na novela, após ganhar um concurso, onde o prêmio era a publicação gratuita de sua obra. Este trabalho, escrito por Rosane Svartman e Paulo Halm, foi finalista em uma premiação internacional, o que já mostra a maestria dos autores.

Quando um pseudointelectual debate nas redes sociais – inclusive comigo – geralmente diz: “Mas não dá tempo de ler!”. Oras, mas quem dita o meu tempo sou eu, não é mesmo? E se alguém se acha inteligente o suficiente para não assistir novelas, diria que este alguém é burro o suficiente para seguir o que a maioria fala. Aliás, nem se Machado de Assis me dissesse que o certo é desligar o último capítulo, eu desligaria. E será que, no caso, a teledramaturgia não seria uma ótima fonte de inspiração?

A novela citada, por exemplo, fez várias pessoas adquirirem as obras clássicas homenageadas nos capítulos. Basta pesquisar nos portais de notícias, é visível a boa influência. E sobre más influências – como tiroteio – nós encontramos isso em séries americanas, livros de horror, contos, crônicas, vida real e, como é de se esperar, ninguém fala nada. Sobre inspiração, escritores inteligentes buscam se inspirar em qualquer situação, e a novela que sua mãe adora é, de fato, um bom começo para surgir a ideia do seu novo romance – sem plagiar – apenas iniciar uns rascunhos e, daquela forma que todo autor sabe fazer, retocar com muita criatividade!

A moral desta crítica é, unicamente, mostrar que podemos sim mudar nossas perspectivas, ampliar nossos horizontes e deixar certos pré-conceitos de lado, aliás, sou uma Acadêmica, faço parte de uma Academia de Letras e, sendo bem sincera, conheço grandes intelectuais que gostam de novelas, e por mais irônico que isso possa parecer para vocês – intelectuais do nada – ninguém deixou de ter uma cadeira porque clicou no controle e assistiu à estreia da nova novela das nove.

Fiquem agora com as cenas dos próximos capítulos, ou seja, me despeço com uma única frase: ninguém sabe tudo.

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