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26 de novembro de 2020
Alexandre Frassini - Rango do Alê

Rango do Alê – A Febre que virou gastronomia

 

Muito me orgulha ser convidado para escrever sobre a arte da gastronomia para o Portal de Noticias Oeste Paulista. Quem me conhece sabe que se tem uma coisa que gosto mais do que cozinhar é de escrever.  Vai ser bem legal estar por aqui. Mas já adianto que você nem sempre vai gostar do que vou te contar. Talvez hoje seja uma dessas polemicas. Mas sou honesto com meus sentimentos e espero que entenda.

Bom, para essa primeira coluna, colocarei um pouco o que penso sobre essa febre que virou a Gastronomia.

 

Eu tive a sorte de me dedicar a Cozinha bem antes desse boom gastronômico que virou hoje. Eu digo sorte, pois pude ganhar certa experiência que me fez não se iludir com esse momento. Minha grande preocupação com meus pratos sempre foi uma só. Agradar meus clientes. E é assim que trabalho e esse sempre é meu principal objetivo. Já fui cozinhar na casa do cliente, ensinar receitas, preparei pratos em festas com todo mundo olhando, pedindo informação, já fiz feiras gastronômicas cozinhando debaixo de chuva ou num sol escaldante, festas em comunidades simples e em pomposas mansões, oficinas gastronômicas para Ongs, camarim de shows de musica e teatro, café da manhã em empresas e no Hospital das Clinicas, festas em escolas, jantares em bares requintados, restaurantes dos mais variados estilos, botecos bacanas e botequim de periferia, programa de tv, comerciais e vídeo aula. Sempre como foco principal, agradar meu cliente.

O que vejo hoje são programas onde o objetivo principal não é o cliente, e sim agradar Chefs famosos. E o cliente?

Não tenho nada contra esses programas, sei que muita coisa ali é “coisa de TV”, mas não me agrada. O pouco que assisti me deixou nervoso, tenso e me deu um certo desconforto. Pensei, “cozinhar com gente gritando no seu ouvido, te repreendendo, mexendo com sua estrutura”. É isso mesmo? O que será que eu faria numa situação dessas? Justo eu que sempre entendi que cozinhar é colocar na panela sentimentos, alto astral, amor, respeito, para que ao final o cliente receba esses sentimentos em forma de alimento. Acho muito estranho. E numa analogia com meu conceito o que vejo ali são chefs provocando as piores situações, sentimentos de tensão, nervosismo, raiva e quando todo aquele climão foi colocado na panela, eles experimentam os pratos com todos os sentimentos negativos e ainda dizem, “está uma delicia!”. Pode ser bobagem, mas acho estranho. Mas volto a dizer tem muito do lance televisivo e a audiência nesse caso é o cliente. Eu entendo, mas não gosto.

Outra coisa que me incomoda é que todo mundo quer ser chef ,mas poucos querem ser cozinheiros.  Será que fizeram uma pesquisa de mercado e já viram quanto ganha um cozinheiro?  Garanto que desistiriam na hora.

Eu entendo, é moda. Mas a realidade é bem diferente.

Abraços e até semana que vem…

 

Alexandre Frassini – [email protected] – 11 98646 8696

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