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Osasco
18 de janeiro de 2021
Cultura

O Espelho dos Anos

Uma crônica reflexiva e intimista.

Percebi, com o passar do tempo, que pouco me conhecia. Talvez por não ter tido tempo de me procurar. Escola, universidade, casamento, filhos. Conheci muitos e o principal não fiz, que foi me encontrar.
As horas passavam rapidamente e quando eu deitava com a cabeça no travesseiro, já estava esgotada, e dormia sem ter tempo de pensar em mim. Quem eu era afinal?
Já quase na casa dos cinquenta, mirei-me em um novo espelho. O espelho dos anos. O espelho da alma. O espelho do tempo.
Agora, deito, e o sono custa a chegar. Enquanto isso, olho para dentro de mim, e me enxergo. Me conheço. Ou melhor, me reconheço.
Ao contrário do que um dia já fiz, faço diferente. Hoje eu sou o que sou.
Desde que me descobri quem sou, me aceito. O espelho dos anos, autorrevelou-me.
Quero ser verdadeira. Com erros, ou acertos, quem eu sou de verdade. Tentar, tentar, mil vezes tentar ser melhor, mas jamais ir contra os meus ideais.
Não quero mais pintar meus cabelos. Se você acha que mulher com cabelos grisalhos tem aspecto de maltratada, esse não é um problema meu. Já não preocupo mais com a sua opinião. Hoje tenho a minha.
Se quero ficar escrevendo até de madrugada, qual é o problema? Isto te prejudica?
Não gosto de andar descalça, odeio pisar no chão.
Chamada telefônica, em último caso. Chamada de vídeo, não faço.
Tenho belezas e também estranhezas. E não me envergonho de olhar para dentro de mim e me dizer: muito prazer!
Não gosto de comer frango com a mão. Se você acha bem normal, eu tenho asco.
Sou atraída por amores de alma. Será que eles existem?
Acredito demais nas pessoas. Lamento um pouco, pois nem todos merecem.
Gosto de pizza de quatro queijos e pepperoni. Sempre.
Embora eu escreva sobre vários temas, inclusive matérias jornalísticas, prefiro os temas intimistas.
Tenho minhas fobias e crises. Assim como você.
Já não escondo meu eu de mim. Se eu não gosto, já não minto. Não gosto e pronto.
Quantas vezes amei por dois. Quantas vezes disse que sim. Quantas vezes as lágrimas rolaram porque teimei em tomar atitudes que não conduziam com meu eu. Quantas vezes quis ser como os outros, e só sofri por não ter sido eu.
Eu sou aquela menina que ninguém queria escolher para o time de vôlei. Confesso que, naquele tempo, eu chorava por dentro. Mas hoje eu penso: e daí? Nem gosto de vôlei!

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