28 C
Osasco
17 de janeiro de 2021
Variedades

O desenhar de nosso amor

Sou a salva-vidas do tempo. E o passar das horas não me basta, pois é única e sombria. Meus desenhos são medíocres, mas insisto nos traços de meu ser, pois só vivo para tê-los em mim. A arte, pois, só existe quando pensamos num ato, e o ato está em amar. Amar o óbvio? Amar um homem? Amar um objeto, talvez um objeto que se crê homem? Não me importa, afinal, diria que sou a mulher que se veste de criatura, e a criatura que se veste de segundo. Meus segundos são eternizados em letras – e também a lápis – por você.

Sou o ser que há, mas e o meu homem? O que ele é? Ele existe ou, por coincidência de destinos, é uma miragem fatal? O que me faz destino é não ser desalinho – e eu fracasso miseravelmente – no talvez. A poesia pode ser desenhada?

O nosso amor é como um rock que vira bossa-nova, num piscar de sons, num olhar de orquestras, numa confusão musical docemente nossa. E há quem explique tal samba-canção? O funk da festa não me desce, assim como os seus beijos me são cruéis no fim do dia. Afinal, cruel é o espaço que meus cálculos não capturam. E a fotografia? Nula.

Chega! Hora de bastar o inexistente, e me bastar! Mas você não se basta sem mim. Você, aliás, existe sem a fotossíntese humana, mas não sem meus abraços de ternura. Abraços de ternura, oras! Eu desisto de mim! Sou a complexidade do não, o sim do aspecto, e a totalidade do efêmero. Sim, desenhar, canso de amá-lo, pois meu homem me vê como uma obra-prima, e eu me vejo como um rascunho medíocre. Sou um rascunho do relógio. Sou o tempo.

E apesar de me ter, não me tenho no fim do livro. E apesar de ser, me descarto. Adeus, velhos hábitos, daquém estou precária! Os versos não me descem. Os versos me sufocam! O seu amor não me sufoca, mas eu preciso de oxigênio. Eu preciso de ar. Eu preciso de amor próprio, e não pretendo ir embora. Pretendo ficar, e amar por três, amar por um milhão de poetas, amar como a poetisa que sou. Amar como uma revolucionária do sentir, aquela que faz a revolução através de rabiscos, letras e águas. E tempo. E nunca.

Jamais.

Outrora.

Estou.

Nós dois.

E o eterno de duas sementes, e a raiz de duas almas, o espírito que se encontra. Fique aqui, e esqueça tudo que te fiz! Fique aqui, porque eu me arrependi. Eu nunca mais tentarei fugir, nem tirar nossa aliança. Eu já sei que sou mais sua do que minha. Eu me conformo.

 

Posts Relacionados

Doria sugere adiamento do Dia da Mães, para agosto

Redação

Hoje(5) o cinema do shopping união foi reaberto

Redação

Saiba como decorar apartamento pequeno de maneira estratégica

Bruno Schwabenland

DEIXE UM COMENTÁRIO

https://api.clevernt.com/cde5a1b4-43aa-11eb-9861-cabfa2a5a2de/