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Osasco
22 de janeiro de 2021
Alexandre Frassini - Rango do Alê Gastronomia Variedades

Food Truck… Sonho ou Decepção?

Uma grande novidade que chegou com a onda gastronômica foram os Foods Trucks. Muito fácil encontrar esses carros de comida estacionados por ai. Estão em frente de bares, cabeleireiros, barbearias, shoppings, festas, shows, e em feiras gastronômicas. E foi em feiras gastronômicas que conheci essa galera. Especificamente na primeira edição da Le Chef a Pé, em Jundiaí. Uma feira completa com chefs famosos, workshop gastronômico, barracas, e os Foods Trucks. Eu estava lá com meu exótico caldo de piranha, o “Leite de Piranha”. Foi lá que conheci a Kombi que achei sensacional, o “Fome de Leão”, toda decoração inspirada no Reggae. Gostei de primeira. A proprietária, hoje minha grande amiga, Simone Moroni, estava vendendo lanches e panquecas. Lembro que também tinha outra Kombi vendendo drinks, se não me engano chamava “Los Mendocitos”, bem bacana também.Aqui em Osasco, a Feira Master Chefs do qual eu faço parte, começou a chamar Trucks em algumas edições. Um mais lindo que outro. Achava demais e até batia uma vontade de montar um. Mas a realidade foi me mostrando pouco a pouco que as coisas não eram tão belas assim. Eu explico.

Frequentemente via a feira cheia e o espaço onde ficavam os trucks, mais vazio. A sensação que dava é que a galera ia lá para admirar os carros, mas não comiam. Achava estranho, essa cena. Aos poucos comecei a ouvir de clientes que ali estavam que achavam a comida dos carros mais caras que as das barracas, que a sensação que dava era que você pagava a comida e o trailer, e até que achava estranho ser atendido olhando para cima, dava a impressão de superioridade. Estranho né?

Outra vez, ouvi dos próprios donos de truck, queixas também. Que não valia a pena fazer certas feiras competindo com barraca, pois a comida delas é mais barata. Diziam ainda que sempre vendiam mais em eventos só de truck. Ou reclamavam do investimento e que para montar um carro desses é alto e a burocracia das documentações é terrível e nem sempre em certas cidades há leis especificas que permitem a venda em qualquer local.  Um deles chegou a quase implorar para a gente fazer uma sociedade, pois ele não estava conseguindo pagar as contas, devido queda nas vendas.

Vou analisar essa cena, mas deixo claro que é uma opinião minha, tá! Vamos lá. Se tem uma coisa que o brasileiro gosta é de criar moda. Os Foods Trucks, foram mais uma, trazida de fora.. Quer ver outra moda? Lojas de bolos artesanais, barbearia retro, lojas de cervejas artesanais entre outras. Brasileiro é assim. Um fez e deu certo, aparecem vários querendo entrar na onda. Até minha ideia de “Cozinheiro de Aluguel”, já foi copiada e tem um monte de “Chefe em Casa” por ai. Faz parte. Mas e ai? Mas como toda moda, tem aquela que chega e vai embora, mas tem aqueles que entendem o processo, investem no negócio e conseguem o sucesso.  Como todo comercio, não basta só ter vontade. Tem que ter conhecimento, pés no chão e analisar todos os aspectos. No caso dos Foods, mais ainda, pois tem que se pensar em adequar o carro para a refeição especifica que vai servir e montar adequadamente cada detalhe, pia, geladeira, tomadas e tudo mais. Não é uma operação simples e por isso é caro.  E naturalmente o preço vai fazer parte do prato. Por isso acham mais caro. Mas não é uma regra, não.

Outro problema que vejo é a escolha do prato. Se você montar um de massas italianas, por exemplo, dificilmente poderá mudar o prato, caso ele não tenha saída, pois além de ter que alterar, provavelmente, os equipamentos e até a decoração do carro. Então o tema do carro tem que ser muito bem escolhido, com analise de mercado, cotação de ingredientes e o mais importante, capacidade do cozinheiro.

A escolha do local de venda também é outro agravante. O lance de vender em frente a bares acho bem bacana, pois sempre tem publico e geralmente é um truck só. Já vi vários que vendem muito bem. Mas e se o bar ficar vazio? Lascou de novo. Faz parte.

O Interior é uma ótima opção. Fique parado na Rodovia Castelo Branco de sábado e domingo que você vai ver vários passando rumo ao interior.  Lá sempre tem publico. O problema que já vi nesse caso é que em alguns trucks, você tem a sensação de pagar o prato, o truck, o pedágio e a gasolina. Outros já são mais moderados.

Enfim, aquela vontade que tive de ter um passou muito rápido. Muito melhor trabalhar em barracas nas feiras. Você vê o cliente no olho, ele vê seu prato preparado ali na frente, o preço é mais convidativo, o contato com o publico é mais natural. Lógico que não da para montar a barraca em qualquer lugar, com o truck é mais fácil nesse caso. Mas cada um na sua. Todos tem seu lado bom e seu lado ruim. Chuva por exemplo.

Mas se você quer montar um, meu conselho é analise todas as possibilidades. Veja se o cardápio é convidativo, os lugares que você está planejando ficar, se a cidade tem legislação especifica para esse ramo, visite as principais feiras, converse com outros chefs a respeito e principalmente cuidado com a escolha das montadoras de truck, pois ele será vistoriado e qualquer falha sua autorização não sai. Cuidado para seu sonho não virar frustração. E boas vendas!!

Assim como conheço histórias de fracasso, também conheço de sucesso. A minha amiga Simone e seu “Fome de Leão” é um grande sucesso e ela está a muito tempo na estrada e não troca seu carro por nada, alias pelo contrario, acabou de adquirir o “Fome de Leão II”, que ficou tão lindo quanto o primeiro. Talento e experiência ela tem de sobra!

Abraços e até a próxima!

Rango do Alê

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