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15 de maio de 2021
Barueri Destaque

Flores no deserto: trabalho pesado na reciclagem não assusta mulheres da Cooperyara

Esta matéria faz parte da série “Mulher Protagonista”, produzida pela Prefeitura de Barueri em homenagem ao Dia Internacional da Mulher 2021. De 8 a 12 de março estão sendo publicadas reportagens com foco no protagonismo da mulher barueriense.
Flores no deserto: trabalho pesado na reciclagem não assusta mulheres da Cooperyara. – Foto: Prefeitura de Barueri/Reprodução

Força, resiliência e beleza – essas são algumas das características que definem a mulher: aquela que batalha todos os dias sem deixar de lado sua feminilidade e sua dedicação com o trabalho, a família, a casa. Na Cooperyara (Cooperativa de Trabalho dos Profissionais Prestadores de Serviço de Reciclagem de Lixo do Município de Barueri e Região) as mulheres não se limitam a atividades simples e sutis, mas também pegam no pesado, trabalhando na reciclagem de materiais descartados, provando que mesmo nos ambientes mais difíceis e áridos elas marcam presença com exuberância, como flores no deserto.

A Cooperyara tem um papel importante na sustentabilidade e, de quebra, proporciona subsistência a 66 famílias. Um trabalho digno, mas pesado, pois separar, prensar e carregar esse material não é fácil, mas as mulheres, como sempre, tiram isso de letra. Lá elas são a metade da força de trabalho e, mesmo com o uniforme, salientam sua beleza, seja usando um batom, seja com o cabelo solto ou com um sorriso discreto no canto do rosto, garantindo que mesmo o trabalho bruto não lhes tira a essência cuidadosa e acolhedora.

Rute
Rute Saraiva da Silva, cooperada há nove anos, conta que foi muito bem acolhida pela cooperativa e que, apesar de o serviço ser “puxado”, vale muito a pena. “Aqui é um lugar que você é bem acolhida, as pessoas são ótimas, o serviço é cansativo, mas é digno e vale muito a pena. Se chegar e tiver vaga, ela dá a vaga para trabalhar e a gente recebe bem, graças a Deus, e a gente vai batalhando no dia a dia. Não tenho do que reclamar”, garante.

Lá, conforme conta Rute, eles formam uma grande família. “A gente aprende muito com esse serviço pesado. Se você tem uma experiência, pega bem o serviço, daí não se torna pesado pra gente que é mulher. É uma coisa que você faz rapidinho e quando está muito pesado, vem alguém e te ajuda”, diz, com orgulho.

Simone
Simone da Silva Santos trabalha há oito anos na Cooperyara, já executou funções mais extenuantes na vida e por isso nem considera o trabalho na cooperativa pesado. “Eu não consigo achar um serviço pesado, porque já estou acostumada, gosto do que eu faço. Quando a gente gosta do que faz, a gente não encontra dificuldades”, diz. Simone comenta que hoje em dia os direitos estão equiparados, mas que há uma maior rotatividade com relação aos homens no trabalho, o que não acontece tanto entre as mulheres, que acabam se dedicando mais às atividades, além de terem que cuidar da casa e dos filhos. “A mulher está muito independente, nós temos muitas mulheres que são mães solteiras, que administram uma casa sozinha. A gente não olha o serviço em si, aprende a fazer e administra o serviço muito bem. Aqui na cooperativa as mulheres fazem o serviço muito melhor do que os homens”, afirma.

Joseneusa
Joseneusa Santos Borges é moradora de Barueri há 23 anos, há um ano na cooperativa. Para ela, a cada dia a mulher conquista mais espaço no mercado e no mundo. “É serviço de homem, teoricamente, mas graças a Deus a gente está conquistando os nossos direitos como mulheres, mesmo com o serviço pesado, pra levar o pão de cada dia para nossos familiares em casa. A gente procura fazer o melhor. Por ser mulher, as vezes as pessoas acham que a gente não tem a mesma garra que os homens. Temos sim! E cada vez mais a gente se une para superar todas as dificuldades”, reforça Joseneusa com garra.

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