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10 de abril de 2021
Brasil Destaque

Dia do Jornalista e a importância social da profissão

O Dia do Jornalista foi criado em 1931 pela Associação Brasileira de Imprensa (ABI), como uma homenagem ao jornalista e médico Giovanni Battista Libero Badaró.
Imprensa do Jornal New York Times em 1920. Foto: Divulgação

O Dia do Jornalista foi criado em 1931 pela Associação Brasileira de Imprensa (ABI), como uma homenagem ao jornalista e médico Giovanni Battista Libero Badaró, importante personalidade na luta pelo fim da monarquia portuguesa e independência do Brasil. 

Segundo o Portal da Imprensa, foi nessa data (07/04), em 1831, que o imperador Dom Pedro I abdicou do trono brasileiro. Depois de 100 anos, a Associação Brasileira de Imprensa prestou uma homenagem à Giovanni Badaró, um dos principais oposicionistas de Dom Pedro, que foi assassinado por seus inimigos políticos. O movimento popular que levou ao seu assassinato, foi o mesmo que levou D. Pedro I abdicar do trono. 

Foi também no dia 7 de abril que a ABI foi fundada, em 1908, com o objetivo de assegurar aos jornalistas todos os seus direitos. 

O Jornalismo na nossa sociedade atual 

Estamos vivendo um momento de constante ataque à liberdade de imprensa, aos órgãos de comunicação, ao exercício do jornalismo e contra diversos jornalistas, pelos nossos atuais governantes. Além disso, presenciamos um momento histórico, a pandemia mundial do novo coronavírus. O jornalismo emerge, neste momento, como artigo de primeira necessidade, onde mais do que nunca se faz fundamental seu exercício para o combate à desinformação da população. 

O jornalista, professor e também morador do bairro Buritis, Maurício Guilherme Silva Jr., reforça a função social do jornalismo e sua importância no momento em que estamos vivendo.

“Não só questionar, mas observar tudo que está ao seu redor com um olhar permanente de estranhamento, de investigação, uma espécie de olhar virginal para as coisas”, afirma o professor.  

O jornalista tem, assim, um compromisso fundamental para com a sociedade, dentro de uma democracia, que é fazer com que as pessoas pensem e questionem sobre o que está a sua volta.

O jornalismo científico na cobertura de uma pandemia 

O jornalismo científico diz respeito à divulgação da ciência e tecnologia pelos meios de comunicação de massa, segundo os critérios e o sistema de produção jornalísticos. A pandemia do novo Coronavírus, que estamos vivendo em 2020, ilustra bem o cenário de dependência do conhecimento científico.

 Uma pesquisa do instituto Datafolha aponta o jornalismo profissional como porto seguro no atual momento de crise. TVs e jornais lideram, com 61% e 56%, o índice de confiança em informações divulgadas sobre coronavírus. Programas jornalísticos de rádio e sites de notícias, com 50% e 38%, respectivamente, vêm na sequência.

 O editor da Wired, revista americana voltada para ciência e tecnologia, Nicholas Thompson, no lançamento de um projeto especial de cobertura do Covid-19, afirmou: O trabalho de um jornalista é manter o público informado. Na melhor das hipóteses, nossa profissão ajuda a acender luzes onde a luz não chega, e ajuda as pessoas a tomarem decisões que podem mudar o rumo do nosso mundo. Isso sempre foi importante, mas é difícil pensar em um momento em que isso tenha importado mais do que no momento.”

 Um mês após o primeiro caso confirmado de coronavírus no Brasil, recordes em sequência vêm reafirmando o papel do jornalismo profissional de fornecer informação confiável para auxiliar o leitor a lidar com a pandemia. Com 235 milhões de acessos e 71 milhões de visitantes apenas em março (até o dia 28), O GLOBO atingiu o pico histórico de audiência. Outros jornais e portais de notícias também registram aumento expressivo no consumo de notícias.

Nesse período de incerteza e fake news, a sociedade se volta para a imprensa profissional em busca de respostas para suas incontáveis dúvidas e também para obter conforto na dura rotina de quarentena.

A saúde mental do jornalista 

Os jornalistas estão na linha de frente de muitos dos eventos mais desafiadores do mundo, desde acidentes de trânsito, cenas de crimes a desastres naturais e guerras, e agora a pandemia mundial da Covid-19. Diante de situações como essas, muitos repórteres acabam assumindo um posicionamento frio para tocar o trabalho do dia a dia. 

A cobertura desses eventos, sejam eles grandes acontecimentos internacionais ou pequenos acidentes mais próximos de casa, podem ter um impacto sobre quem faz a reportagem, levando a problemas como transtorno de estresse pós-traumático (TEPT), ansiedade, estresse e esgotamento.

Em 2018, só na Rede Globo, pelo menos cinco jornalistas e três cinegrafistas foram temporariamente afastados por estresse e por se sentirem deprimidos. O caso mais conhecido foi o da apresentadora Izabella Camargo. 

Os jornalistas podem buscar apoio e recursos em plataformas como: 

  • Capítulo 10 do manual de segurança do Comitê para a Proteção dos Jornalistas –  resume os sinais de estresse e descreve como os profissionais de mídia podem cuidar de si mesmos e uns dos outros.
  • O manual de Crise de Desastres e Cobertura do Centro Internacional dos Jornalistas (ICFJ) cobre extensivamente questões de jornalismo e trauma, incluindo sinais de estresse traumático, reações após testemunho de violência e dicas de autocuidado.
  • Centro Dart para Jornalismo e Trauma possui seções especiais para jornalistas que cobrem conflitos violentos e outras atrocidades. Há páginas de dicas sobre como repórteres podem minimizar os danos quando trabalham com vítimas e sobreviventes.
  • O Centro para Ética de Jornalismo da Universidade de Wisconsin também oferece um guia para as questões éticas em torno de trauma e jornalistas.

No Brasil, essa situação é ainda mais complicada, dado que o país está entre as dez nações com o pior índice de impunidade em crimes contra jornalistas. Isso sem contar na gigantesca quantidade de casos de assédio moral a jornalistas que é registrada no país .

Violência contra jornalistas

O Brasil é um dos dez piores países do mundo em termos de impunidade para assassinatos de jornalistas, segundo um levantamento feito pelo Centro para a Proteção dos Jornalistas (CPJ). E os crimes de ódio contra esses profissionais, crescem cada dia mais em nosso país.  

Em 2019, foram registrados 208 ataques a veículos de comunicação e a jornalistas, um aumento de 54,07% em relação ao ano anterior, quando foram registradas 135 ocorrências, de acordo com o relatório anual de Violência contra Jornalistas e Liberdade de Imprensa no Brasil, da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj).

De acordo com o relatório, os políticos foram os principais autores de ataques. O relatório registra 144 ocorrências (69,23% do total), a maioria delas são tentativas de descredibilização da imprensa (114). Segundo o levantamento, o presidente Jair Bolsonaro foi responsável – sozinho – por 58,17% dos ataques, ou seja, de 208 ataques aos jornalistas em 2019, 121 deles vieram do atual Presidente da República.

“Acredito que esses ataques contra jornalistas que têm crescido assustadoramente em todo o canto, são motivados pela postura do presidente da república, uma pessoa que não respeita a imprensa, não respeita a liberdade de expressão, que propaga informações falsas. Eu acho que isso respalda e dá uma segurança para que outras pessoas também façam esses ataques”, afirma Alessandra Melo Presidente do Sindicato dos jornalistas de MG. 

Alessandra afirma que é levando essa discussão para a sociedade e denunciando aos órgãos de segurança pública que podemos garantir o livre exercício da profissão. 

A FENAJ tem feito um trabalho muito legal de monitoramento dos ataques aos jornalistas, isto tem transformado a loucura que a gente vê na televisão em números concretos e isso é muito importante”, finaliza Alessandra.  

Liberdade de imprensa 

Segundo o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso,  podemos conceituar a liberdade de imprensa como “a liberdade reconhecida (na verdade, conquistada ao longo do tempo) aos meios de comunicação em geral de comunicar fatos e ideias, envolvendo, desse modo, tanto a liberdade de informação como a de expressão.”

A liberdade de expressão é garantida pela Constituição de 1988, principalmente nos incisos IV e IX do artigo 5º. O que se lê no inciso IX do artigo 5º é o seguinte:“IX – É livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença;”

Mas a liberdade de imprensa no Brasil não vive seus melhores momentos. O Brasil caiu, pelo segundo ano seguido, no ranking de liberdade de imprensa da organização não governamental “Repórteres Sem Fronteiras”. O país agora ocupa a posição 107 de 180, atrás de Angola, Montenegro e Moçambique.

O relatório da organização afirma que a eleição do presidente Jair Bolsonaro, em 2018, “deu início a uma era particularmente sombria da democracia e da liberdade de imprensa no Brasil”. Naquele ano, o país ocupava a posição 102 na lista, caindo para a 105 em 2019.  

Divulgado anualmente desde de 2002, o ranking se tornou uma referência para a diplomacia e para as organizações internacionais como a ONU e o Banco Mundial.   

De fato, o Brasil está vivendo um período de grande ataque aos jornalistas e aos meios de comunicação em geral. Essa violência é uma das tentativas de restringir a liberdade de imprensa e de expressão. Nesse sentido, se constitui uma ameaça que, felizmente, não está se concretizando. Isso porque os jornalistas e a maioria dos veículos de imprensa estão resistindo, não estão se intimidando e continuam fazendo seus trabalhos.

Fonte: Jornal Daqui BH

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