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Osasco
21 de outubro de 2020
Variedades

A situação caótica da classe artística durante a pandemia

­Como os artistas e a cultura estão sobrevivendo, já que foram os primeiros a serem afetados, e serão os últimos a retomarem suas atividades?

Comércio aberto, viagens permitidas, quase tudo voltando a normalidade. Porém, a classe artística ainda sofre as consequências desse capítulo infeliz da história mundial. Teatros e museus fechados; espaços culturais fantasmas, sem espetáculo, sem plateia. Tudo isso resultando em demissões de artistas que sobreviviam exclusivamente da arte. O setor cultural foi o primeiro a ser afetado, e será o último a retomar suas atividades. Para eles, driblar a crise tem sido um grande desafio.

A quarentena, o “fica em casa”, não preocupou muito os que trabalhavam em grandes empresas, os que tinham bons patrões e suas carteiras assinadas, ou os funcionários públicos. Porém, para os que tinham a arte como ofício, a situação ficou caótica. Com o fechamento dos teatros, por exemplo, não apenas os atores ficaram sem suas rendas, mas também uma gama de profissionais de apoio: camareiros, técnicos de som, de iluminação etc. Sem aglomerações, sem circos. Palhaços, malabaristas e demais circenses foram prejudicados, e também os trabalhadores adjacentes: bilheteiros, baleiros e pipoqueiros. Shows musicais cancelados, cantores e músicos sem rendas. Artistas que se apresentavam em trens, ônibus e barcas ficaram impossibilitados de realizar suas apresentações, e com as ruas vazias, os artistas de rua deixaram de fazer suas performances. O dinheiro, que já era suado, passou a ser nenhum.

Os alugueis, porém, não deixaram de ser cobrados; contas e boletos chegando. Artistas entre a cruz e a caldeirinha: comprariam comida, ou álcool em gel? Cantores já consagrados se apresentando através das lives, promovendo dessa forma o seu trabalho, enquanto alguns artistas anônimos tiveram que voltar a morar com seus pais. A tecnologia como aliada: portais culturais foram criados, a fim de divulgar através de entrevistas, saraus e debates, escritores e seus livros. Alguns deles, os que tiveram a sorte de ter alguma reserva guardada, publicaram na quarentena, participaram de feiras literárias online, enquanto outros sofreram com bloqueio criativo, devido ao psicológico abalado.
O espírito solidário envolveu muitos artistas. Observando seus colegas sem dinheiro, alguns criaram vakinhas online com a intenção de ajudá-los, e outros se mobilizaram, distribuindo cestas básicas para os menos favorecidos. Municípios endividados e sem condição de gerar qualquer renda para a classe. A partir daí, o governo federal criou um auxílio emergencial específico para esses trabalhadores, através da Lei Aldir Blanc. Para ter direito ao recebimento, o artista deveria, no entanto, atender a uma série de exigências. Porém, somente agora em outubro, o auxílio está começando a ser repassado para os estados e municípios. Vamos ficar na torcida para que haja êxito nessa medida, e principalmente, para que os artistas possam voltar novamente a trabalhar, trazendo cores, músicas, poesias e dramatizações para o nosso país tão devastado pelo monstro pandêmico.

 

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2 comentário

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