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21 de setembro de 2021
Alexandre Frassini - Rango do Alê

A Pandemia e a Cozinha (Parte 1)

Olá amigos! Espero que estejam todos bem! Primeiramente desculpa por não atualizar tão periodicamente essa coluna do Rango do Ale. Assim como todos também fui muito afetado por essa pandemia, tanto pessoalmente, como financeiramente e psicologicamente. Mas é hora de recomeçar. E é justamente para falar sobre a pandemia que decidi escrever essa coluna.
Bom nem preciso dizer que a pandemia do Covid-19 afetou em cheio quem trabalha com eventos relacionados a Gastronomia. Eu mesmo perdi as contas de quantos eventos só em 2020 tive que cancelar. Não teve jeito. Nós trabalhamos com pessoas, aglomeração, festas, feiras e tudo que não pode nesse momento difícil que estamos passando. Paciência! Tem que ser assim e não tem jeito. Mas repararam que a Gastronomia salvou e está salvando muitas famílias? E é sobre isso que quero falar.
Quando percebi no inicio da pandemia que as coisas iam complicar financeiramente, optei em fazer delivery. Não tinha outra opção. Por sorte um amigo me emprestou a cozinha do estúdio dele e através de listas de transmissão divulgava o cardápio, anotava os pedidos, preparava e saia, eu e mais um amigo entregando. E assim fomos de março a agosto, preparando almoço e jantares. Olha foi um trabalho cansativo, de pouco lucro, mas que momentaneamente salvou as nossas contas. Porém, não resistimos. E agora começa o primeiro capitulo dessa epopeia.
No inicio até estávamos bem. Muito também, porque tínhamos ingredientes estocados de eventos que estavam agendados e foram cancelados. Montávamos o cardápio pensando nesses ingredientes. Confesso que nossas refeições não eram das mais baratas, mas modéstia a parte tínhamos uma qualidade e um cardápio diferenciado. Acredito que no inicio o preço não fez tanta diferença, porém com passar do tempo isso complicou. A galera foi ficando sem grana e afetou e muito as vendas.
Outra coisa que percebi nessa época foi a quantidade de cozinheiros que a pandemia formou. Indo da minha casa para o estúdio todos os dias, via restaurantes abrindo, casas vendendo refeições, carros parados com o porta mala aberto e um isopor com vários marmitex, enfim, gente se virando e tentando ganhar algum dinheiro para sobreviver. A cozinha salvou. E eles vendiam com o preço muito mais baixo.
Outro fator que afetou e muito a minha mudança de plano, foi o preço dos alimentos. Impressionante que em plena uma crise pandêmica, oportunistas de plantão e a falta de humanidade de certas pessoas brotam na sociedade. A carne dispara de preço, óleo, feijão, arroz, enfim tudo que é de mais básico para a sobrevivência de uma família sobe assustadoramente, sobre o nariz de governantes que não fazem absolutamente nada e deixa o povo à mingua. Isso me deixou muito triste. Decidi mudar de plano.
Mas ao mesmo tempo fico bem feliz com a quantidade de pessoas que enxergaram nas refeições um modo de sustento. Tive a oportunidade de aconselhar, opinar e até mesmo emprestar receitas e equipamentos. Acredito que quando tudo isso passar, haverá grandes cozinheiros no mercado e quem sabe as Feiras gastronômicas não ganham novas caras e ressurge como uma nova opção de retomada na economia. Torço pra isso.
No próximo capitulo vou contar um pouco mais dessa epopeia gastronômica nessa pandemia.
Até mais!

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