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20 de outubro de 2020
Cidades

5 moradores de rua morrem em SP após fim de semana mais frio do ano na cidade

Devido ao frio, instituições sociais intensificam ações de acolhimento de pessoas em situação de rua

No último final de semana, as temperaturas despencaram na capital paulista, registrando a menor temperatura do ano na madrugada deste sábado (22), por volta da 1h da manhã, com mínima de 8,2ºC, conforme informações do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).

A queda brusca ocorreu devido à uma intensa massa de ar frio que chegou ao sul do país no início da semana, o que resultou na morte de cinco pessoas em situação de rua, de acordo com o Movimento da População de Rua do Estado de São Paulo, e confirmadas pelo padre Júlio Lancelotti, integrante da Pastoral do Povo de Rua de São Paulo, durante uma missa celebrada neste domingo (23).

Em nota, a Prefeitura informou que apenas duas ocorrências de óbitos foram registradas. 

Durante a missa do “21* Domingo do Tempo Comum”, o Padre Júlio Lancellotti denunciou os casos de subnotificação de mortes, e à luz da Bíblia, responsabilizou as autoridades governamentais sobre a negligência do poder público com a população em situação de rua.

“Toda autoridade deve ser exercida para proteger o povo, para cuidar dos que são fracos, para proteger os pequeninos. A legitimidade da autoridade não é o dinheiro, nem o poder, nem é o prestígio internacional, a autoridade se baseia nos pequenos. Basta olhar para as ruas da nossa cidade, tem muita gente na rua?, questiona o padre, e prossegue, “tem muita gente nas comunidades de favelas?, tem muita gente nas parafitas? tem muita gente na beira dos rios? Tem muita gente dormindo na calçada? Deus não quer ninguém jogado pelas ruas, famintos e morrendo de frio como os que morreram aqui em São Paulo, e que escondem o número verdadeiro de mortos. (…) Enquanto tiver tanta gente jogada na rua, nós perdemos a credibilidade e é colocado em cheque a nossa fé. 

E finaliza, agradecendo as doações que vem recebendo nos últimos dias. 

 

 

Já para a pastora e missionária, Nildes Mattos Nery,  líder da ONG Ação Retorno, que atua na região da Cracolândia, devido à pandemia, a situação se agravou com o aumento do número de pessoas em situação de rua. 

Em atenção, a missionária continua realizando ações sociais através da entrega de cobertores e alimentos: 

“Estamos entregando cobertores e chocolates, meias, luvas e capas de chuva” diz a religiosa que intensificou as doações na última semana. 

(Reprodução/ Facebook)

“Estar em situação de rua é um desafio”, diz a ex-moradora de rua,  Eliana Toscano, 48, atual Assessora Técnica da Secretaria Municipal de Direitos Humanos – PopRua da capital paulista.

Acolhendo mulheres, Toscano revela a necessidade de kits de higiene, especialmente para o gênero feminino que carecem de uma maior atenção no cuidado higiênico e de beleza. Entre a lista de utensílios e produtos de maior urgência estão absorventes, desodorante, escova e pente de cabelo, cremes de cabelo, roupas e roupas íntimas, como calcinhas e sutiã.  

Eliana tem estado atendendo as pessoas em situação de rua. “Todos bem agasalhados, aquecidos, alimentados e dormindo.
Estou de plantão, observando e atendendo quem, eventualmente, me chama.” (Reprodução/ Facebook)

 

Desde Maio, o governo do Estado de São Paulo atua com o Programa “Baixas Temperaturas”, para direcionar moradores de rua para abrigos da Prefeitura. As orientações para a população em geral é que se você encontrar alguém na rua, ligue para o número 156, dando as características da pessoa e o local onde ela se encontra, pois há equipes de abordagem por toda a cidade que conduzirá os moradores até Centros de Acolhida.  Até o momento, realizaram mais de 1 milhão de acolhimentos durante a Operação Baixas Temperaturas. 

 

De acordo com a Climatempo, os próximas dias, sobretudo noites e madrugadas, vão continuar geladas, portanto, novos recordes são esperados, principalmente no início da semana,  entre segunda (24) e terça-feira (25) , com mínimas previstas de  8°C e 7°C, respectivamente na capital. 

 

Segue abaixo as contas bancárias das instituições para doações: 

  • Assistência social feita pelo Padre Julio Lancellotti, região da zona leste de SP:

  • Assistência Social feita pela missionária Nildes Mattos Nery, na Cracolândia – Sé

 

Eliana Toscano – Assessora Técnica da Secretaria Municipal de Direitos Humanos – PopRua da capital paulista.

 

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