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20 de setembro de 2020
Osasco Saúde

Sem comprovação científica, lava a jato pra pessoas, a tenda de Higienização de Osasco vira piada e preocupação para especialistas.

Infectologistas e Especialista Negam a eficiência da Tenda de Higienização para o combate do COVID-19

Desde a última segunda-feira, 13 de abril, funciona na saída da Estação da CPTM, no Largo de Osasco, uma Tenda de higienização que tem, segundo a Prefeitura de Osasco, o objetivo de higienizar as pessoas e diminuir a disseminação do coronavírus.

Sem comprovação científica que justifiquem a instalação da tenda, a Prefeitura de Osasco, mesmo assim, faz dela uma bandeira no combate à Pandemia, com direito a espaço em horário privilegiado na TV Bandeirantes. Curiosamente na mesma semana a Prefeitura autorizou um acréscimo de valores no contrato com sua agência de publicidade no valor de R$ 3.000.000,00 (três milhões de reais).

Piada entre muitos que passam no lugar, a tenda provoca mais risos do que benefícios para saúde, e também tem sido usada para diversão das crianças que por ali passam.

Desde o início das operações da tenda, infectologistas e especialistas na área passaram a discutir a efetividade desta ação, que não possui nenhum registro que de fato possa diminuir o risco de contágio do Covid 19.

O produto que é jogado sobre as pessoas que passam pela tenda é um composto de hipoclorito de sódio, que é o princípio ativo da água sanitária, extrato vegetal e água.  A medida foi inspirada em uma receita elaborada pelo Conselho Federal de Química (CFQ), que não foi consultada sobre a ação, antes da instalação da Tenda.

O CFQ informou que a solução é “para ser aplicada em superfícies inanimadas no interior de residências onde não hajam casos suspeitos ou confirmados da Covid-19″. E também que não recomenda o uso em pessoas, pois o “hipoclorito de sódio é corrosivo e pode causar irritação na pele e nos olhos”.

Fábio Lopes Pedro, infectologista da Universidade Federal de Santa Maria, no Rio Grande do Sul, informou em entrevista a imprensa, que desconhece a efetividade desta ação tomada pela prefeitura, e comentou: “Não tenho conhecimento científico sobre essa atitude. Também não sei se há outro país com essa prática”.

Amílcar Tanuri, professor titular do departamento de genética do Instituto de Biologia da UFRJ, se mostrou contrário à medida e analisou: “A quantidade de hipoclorito necessária para matar o vírus é alta. A concentração necessária seria lesiva para os olhos, por exemplo”.

A ação assim torna a ação inócua, sem nenhum benefício prático, além de poder se divertir na garoa artificial ou cair por causa do piso molhado.

O médico infectologista Jean Gorinchteyn, do Hospital Emílio-Ribas-SP, afirma que o vírus morre com o hipoclorito de sódio, mas não desta forma, por meio de uma vaporização rápida. O doutor cita,como exemplo, as máscaras de pano que precisam ficar 40 minutos embebidas no produto para serem reaproveitadas. Na passagem pela tenda a pessoa não demora mais que dez segundo.

O engenheiro químico Wagner Contrera, gerente de fiscalização do Conselho Regional de Química-SP, ressalta que não há protocolo no mundo sobre a nebulização em humanos para conter a Covid-19.

Por meio de nota, a prefeitura de Osasco informou que o composto higieniza roupas, pertences pessoais, além dos sapatos, contrariando a opinião dos especialistas.

O contrato emergencial da Prefeitura de Osasco com a AM Serviços custa R$ 48 mil por mês e tem duração de 90 dias. Segundo a prefeitura, o município pretende ampliar as estações de higienização, instalando o próximo em Presidente Altino, também em frente a estação da CPTM. E literalmente lavando o dinheiro público com ações sem comprovação científica.

O professor Amílcar Tanuri também ressaltou que “a fonte de proliferação não está na roupa, na pele. Seria muito melhor que as pessoas pudessem lavar as mãos e usar máscaras, e não vê eficácia em borrifar essa composição.”

A própria empresa contratada, AM Serviços admite não ter trabalhos científicos publicados sobre o experimento com o coronavírus.

Pessoas foram questionadas após passar pela tenda e não sabiam a composição do líquido jogado pelo sistema, simplesmente passavam por ali acreditando que poderia ajudar no combate ao coronavírus. Muitas pessoas foram flagradas coçando os olhos ao passar pela tenda, relatando desconforto e não sabiam sobre o hipoclorito de sódio e nem da recomendação do CFQ sobre os efeitos negativos que podem causar a pele e aos olhos.

Confira a íntegra da nota do Conselho Federal de Química:

É importante destacar que o material divulgado pelo CFQ orienta o preparo de uma diluição da água sanitária (que tem o hipoclorito de sódio como principio ativo) para ser aplicada em superfícies inanimadas no interior de residências onde não hajam casos suspeitos ou confirmados da Covid-19.

Para desinfecção de ruas, e exclusivamente das áreas públicas excluindo-se os cidadãos que por elas circulam, as prefeituras devem se atentar à Nota Técnica n° 22/2020/SEI/COSAN/GHCOS/DIRE3/ANVISA.

Em momento algum foi recomendado pelo CFQ que a solução diluída de água sanitária fosse borrifada/vaporizada sobre pessoas. O hipoclorito de sódio é corrosivo e pode causar irritação na pele e nos olhos.

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