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20 de outubro de 2019
Carreiras e Negócios

A inevitável obsolência programada

A obsolência programada, é quando um produto é concebido com um prazo de validade, pré-determinado pelo seu fabricante. Esse prazo de validade poderá ocorrer em versões de software, capacidade do hardware, qualidade dos componentes utilizados na fabricação do produto, entre outros.
É comum encontrarmos pessoas, principalmente de meia idade, que dizem que determinado produto não possui a mesma resiliência ou capacidade como os produzidos há décadas atrás. Essa prática tem nome e sobrenome, chamasse obsolência programada, é uma forma proposital dos fabricantes não ficarem com as suas vendas em baixas, seja na venda de novos produtos ou até mesmo de peças de reposição. Eu mesmo percebo alguns exemplos de obsolências programada encontradas em softwares e hardwares, principalmente nos produtos que compõem a linha verde (telefones celulares, computadores e equipamentos de informática, entre outros), acredito que eles acompanham o ciclo de vida do modelo em mercado, quando esse ciclo desse modelo começa declinar, eles lançam um novo modelo, contribuindo também para que a marca continue sendo uma top of mind (marca mais lembrada pelas pessoas), o novo modelo já havia sido concebido há algum tempo, eles aguardam apenas o momento certo para lançar e revigorar a visibilidade da marca, ou seja, basicamente a estratégia da marca é com base na inovação, fazendo com que o produto não seja uma moda, que é passageira, mas sim uma tendência, que ao contrário é duradoura, contribuindo para a manutenção dos seus cientes fidelizados e impulsionando na fidelização de novos clientes, fazendo com que os consumidores acreditem que as inovações no novo modelo é uma tendência. A obsolência programada encontrada em softwares e/ou em novos modelos de equipamentos, servem para despertar a insatisfação no cliente com a versão do equipamento que possuem, fazendo com que ele compre um modelo atual e dessa forma aproveite os novos e modernos recursos existentes nessa nova versão, e consequentemente fará com que o consumidor possua um produto que esteja na moda. Na linha branca (fogões, geladeiras, lavadoras e eletrodomésticos de grande porte), também percebo que há uma obsolência programada, porém na qualidade e durabilidade dos produtos, concordo que houveram grandes evoluções tecnológicas nessa linha de produtos, ao ponto de encontrarmos produtos mais seguros, com painéis digitais, controlados por transistores, ao contrário do passado, em que tínhamos por exemplo lavadoras de roupas maiores, composta por mecânica pura, nada digital, porém com uma durabilidade e performance em que eu considero superior, em comparação com os modelos atuais encontrados no mercado. Porém há casos em que eu percebo pouca ou nenhuma obsolência, por exemplo o caso dos produtos da linha azul (liquidificadores, furadeiras, ferros para passar roupa e outros eletrodomésticos de pequeno porte), percebo que eles ficaram mais estáveis, não havendo obsolências ou relevantes avanços nas suas funções, se fizermos um paralelo com os produtos da época dos nossos avós, percebemos apenas que eles ficaram mais leves, alguns com painéis digitais, mais nada que comprometesse a função principal dos produtos. Possuo curso de eletrônica, sou apaixonado pelo assunto, e as vezes tento arrumar algum produto que compõem a linha marrom (televisores, rádios, blu-ray, entre outros) e percebo que esses produtos são exceções no assunto de obsolência, eles evoluíram tecnologicamente, sem perder a sua qualidade e durabilidade, há também algumas inovações, como exemplo temos as placas e componentes internos que estão mais reduzidos, no caso dos televisores, as válvulas perderam espaço para os capacitores e transistores, o painel e o sinal que eram analógico viraram digitais, o osciloscópio ou a tela como é popularmente conhecida ficou plana, mais leve, a carcaça que era de madeira agora é de plástico, quase todos os modelos existentes no mercado consomem menos eletricidade do que os antigos modelos de décadas, o produto ficou mais leve, funcional e sustentável, podendo interagir com outros elementos tecnológicos, acarretando juntamente com os smartphones a “internet das coisas”, outro assunto que considero interessante, mas que não abordaremos neste artigo. Considero a obsolência programada uma tendência, empresas objetivam mais lucros, para alcançarem esse objetivo elas precisam vender mais, considero que quanto maior o valor do produto ao cliente, maior poderá ocorrer a incidência da obsolência programada, pois esses produtos não possuem um ciclo constante de compra pelo mesmo consumidor, um exemplo é uma lavadora em que não é todo mês que o mesmo consumidor irá comprar uma. Há empresas que adquirem componentes baratos e utilizam mão de obra estrangeira por um custo reduzido, além dessa redução de custos, ela estará comercializando produtos com durabilidade já pré-programada, assim essa redução de custos gerará produtos de baixa durabilidade e consequentemente gerará a obsolência programada, elevando o seu lucro através da venda de peças de reposição ou novos produtos. Observo que há vantagens na obsolência programada, por exemplo o giro na economia, mantendo e gerando mais postos de trabalho, contribuindo para a arrecadação de mais impostos ao governo, que são aplicados na sociedade, como também facilitando a acessibilidade de todas as classe sociais aos produtos. Porém temos também desvantagens, que envolve o risco da inflação no preço desses produtos, fruto de ocorrer uma maior procura e os produtores não conseguirem conter essa demanda (lei da oferta e procura), outra desvantagem que considero importante é a sustentabilidade do planeta, produtos que têm a sua vida útil em um tempo inferior ao esperado, poderá acarretar no aumento de descartes incorretos, prejudicando a natureza e o correto reaproveitamento dos componentes do produto (logística reversa). O maior prejudicado na obsolência programada é a natureza, pois o planeta possui recursos limitados, o consumo exagerado visando o lucro compromete a preservação do meio ambiente, pois além da exploração dos recursos para a produção dos produtos, temos também o problema da poluição, ocorrida durante a fabricação e no descarte incorreto do produto, logicamente, quanto mais produtos fabricados, maior será a poluição gerada durante a fabricação e após a vida útil do produto. Um notável exemplo de obsolência programada são os automóveis, compra-se um veículo hoje e daqui uns meses ou anos é lançado o mesmo modelo com outros diferenciais, criando a insatisfação e o desejo do motorista em trocar de veículo, percebo que com o passar dos anos os veículos estão cada vez mais leves, potentes e econômicos, mas ao compararmos a lataria, para choque e alguns acessórios, observamos que os modelos atuais são mais frágeis em comparação com os fabricados há décadas, sendo que uma simples avaria necessitará da mão de obra de um funileiro, e possivelmente da compra de alguma peça para reposição. Observamos que a obsolência programada possui um papel importante para a economia, ela possui contribuição para o PIB da nação, porém ela tem suas desvantagens, que envolve desde o consumismo descontrolado e o acelerado descarte de produtos, prejudicando o meio ambiente e as futuras gerações, em que chegará há um certo momento que os recursos naturais findarão, e seremos obrigados a operacionalizar o reaproveitamento e logística reversa com eficácia, ou as empresas reduzirão suas produções, podendo acarretar um caos econômico a nível mundial, sendo o consumo racional e conscientização das empresas sobre o seu papel na sociedade a solução para esse problema vindouro.

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