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27 de junho de 2019
Cinema e TV Francisco Rossi Junior - Arte das Telas

Clint Eastwood mostra que aos 88 anos está em plena forma como ator ou diretor

Um dos raros artistas realmente versáteis, ele também possui no currículo os cargos de produtor e compositor da trilha sonora de alguns de seus filmes.

Aos 78 anos, ao dirigir e atuar em “Gran Torino”, Clint Eastwood anunciou que em 2008 estava se aposentando da carreira de ator e que a partir daquele momento iria se dedicar apenas à carreira de diretor.

Desde 2009, Clint dirigiu 9 filmes aclamados pelas críticas e que no mínimo recebem nota 7 em avaliação. Entre as produções, destaco “Invictus” que narra a trajetória do presidente sul africano Nelson Mandela, interpretado por Morgan Freeman, durante o campeonato Mundial de Rúgbi disputado na África do Sul, e “Sniper Americano”, que conta a história do militar Chris Kyle, oficialmente o atirador mais letal da história dos Estados Unidos, com 255 mortes, sendo 160 oficialmente confirmadas pelo Pentágono.

Clint Eastwood quebrou a promessa de não mais atuar por duas vezes desde que anunciou sua aposentadoria. Uma delas por gratidão ao diretor Robert Lorenz, seu colaborador em vários filmes, como produtor, assistente de direção ou até mesmo diretor da segunda unidade. Ambos trabalharam juntos, inclusive, no excelente “Sobre Meninos e Lobos”, de 2003, no qual 3 amigos de infância  reencontram-se após a filha de um deles ser brutalmente assassinada. A obra rendeu os Oscars de melhor ator e ator coadjuvante, respectivamente para Sean Penn e Tim Robbins; e as indicações de melhor Filme e melhor diretor para Eastwood, além de mais duas indicações, de roteiro e atriz coadjuvante para Marcia Gay Hardem. Fruto desta parceria, em 2012, é lançado “Curvas da Vida”, no qual interpreta Gus Lobel, um veterano olheiro que vai atrás de um rebatedor para o time de beisebol em que trabalha.

A união profissional também é destaque no ótimo “Cartas de Iwo Jima”, que mostra o ponto de vista dos japoneses da batalha da ilha de Iwo Jima, um dos maiores conflitos da Segunda Guerra Mundial, em contraponto a outro filme, também dirigido por Clint Eastwood, o bom ”A Conquista da Honra”, que mostra a mesma batalha, mas do ponto de vista dos americanos. Ambos de 2006.

A segunda vez em que podemos ver a promessa de não atuar mais ser rompida ocorreu em 2018, com um pequeno grande trabalho “A Mula”, ainda em cartaz nos cinemas (corra antes que saia da programação). Nesta obra, Clint interpreta Earl Stone, um veterano de guerra de 90 anos, que se preocupa mais com suas orquídeas do que com a sua própria família e, por diversas circunstâncias, acaba se tornando mula do cartel mexicano. A atuação é perfeita em todos os detalhes, desde o jeito de andar, a forma como se faz de desentendido e, principalmente em situações de tensão e medo, mas sem deixar transparecer. Reitero aqui: qualquer filme de Clint Eastwood já sai no mínimo com nota 7.

Além dos filmes já citados, gostaria de citar mais três que considero estar entre os melhores da história do cinema. No primeiro, Clint Eastwood trabalha apenas como ator e fecha a trilogia de “Western Spaghetti” dirigida por Sergio Leone, conhecida como “Trilogia do Homem Sem Nome”. Trata-se do épico “Três Homens em Conflito”, de 1965, que gira em torno de três pistoleiros competindo para descobrir uma fortuna em ouro. Os filmes que o antecedem nesta trilogia são os também ótimos “Por Um Punhado de Dólares” (1964), e “Por Uns Dólares a Mais” (1965).

O segundo que gostaria de citar é o também faroeste “O Estranho Sem Nome”, dirigido e interpretado por Clint Eastwood, no qual é um pistoleiro sem nome que ao chegar a uma cidade entra em conflito e mata três pistoleiros. No entanto, um deles tinha sido contratado para defender a cidade. O estranho então aceita a missão no lugar de sua vítima, mas impõe várias e estranhas em condições. Uma curiosidade é que o filme originalmente se chama “High Plains Drifter”, mas no Brasil recebeu um “Sem Nome” no título para ir de carona no sucesso da trilogia, já citada, de Sergio Leone.

O terceiro filme, também um faroeste, é “Os Imperdoáveis”, de 1992, o qual rendeu a Clint Eastwood o seu primeiro Oscar de melhor filme e de melhor diretor. Um grande marco em sua carreira. Além dos Oscar de ator coadjuvante para Gene Hackman e de Edição. Na película, Clint interpreta Bill Munny, um pistoleiro semi-aposentado, que junto com o seu sócio e vizinho Ned Logan (Morgan Freeman) é contratado para matar um cowboy que desfigurou o rosto de uma prostituta. Para isso, ele irá se confrontar com um pistoleiro inglês, interpretado por Richard Harris, que também quer a recompensa e pelo xerife (Gene Hackman) que não quer confusão em sua cidade.

A carreira de Clint Eastwood é tão recheada de sucessos, que ainda posso citar mais dois grandes trabalhos: “As Pontes de Madison” de 1995, um dos maiores romances da história do cinema, que nos mostra o quanto Clint Eastwood é diversificado. O filme concorreu ao Globo de Ouro de melhor drama e deu a Meryl Streep uma de suas 21 indicações ao Oscar de melhor atriz (foi a décima na ocasião). E “Menina de Ouro”, vencedor de quatro Oscars, melhor filme e diretor para o próprio Clint, além de atriz para Hilary Swank e de ator coadjuvante para Morgan Freeman.

A propósito, repararam quantos atores e atrizes foram citados no texto como vencedores ou indicados ao Oscar? Isto prova que, além de cada filme contar uma história diferente, seu trabalho excelente com os atores consegue tirar o melhor de cada um deles.

Os filmes: “Os Imperdoáveis”, “Gran Torino”, “As Pontes de Madison”, “Cartas de Iwo Jima”, “A Conquista da Honra”, “Sobre Meninos e Lobos”, e A “Trilogia do Homem Sem Nome”, estão disponíveis no Now para assinantes Net/Claro. Cliente do aplicativo Amazon Prime Vídeo tem a opção de assistir “Sniper Americano” ou o musical “Jersey Boys”. Já na Netflix a única opção é o drama “A Troca”, estrelado por Angelina Jolie.

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